CSA CEAFIM

Comunidade que Sustenta a Agricultura do Centro de Envolvimento Agroflorestal Filipe Moreira

Da cultura do preço para a cultura do apreço!

Transformar o tradicional…

…modelo de produção agrícola, deixando de lado o viés mercadológico e adotando um processo colaborativo, valorizando o trabalho dos produtores e o respeito à natureza. Este é o desafio vencido pela CSA CEAFIM – Comunidade que Sustenta a Agricultura do Centro de Envolvimento Agroflorestal Filipe Moreira, formada por agricultores de Barra do Turvo e coagricultores (consumidores) de Curitiba.

Os coagricultores firmam o compromisso de financiar o modo de vida e de produção dos agricultores durante um período pré-estabelecido (seis meses ou um ano) através de aportes mensais. Em retorno, agricultores cultivam alimentos saudáveis de maneira agroecológica e agroflorestal, e os oferecem diretamente aos coagricultores, em entregas semanais, em uma simbiose que só traz vantagens para os dois lados.

DESAFIAR A LÓGICA DO MERCADO E DIVERSIFICAR A CULTURA ALIMENTAR

Seguindo a proposta global de CSAs, não seguimos a lógica do mercado e adotamos um modelo cooperativo, possibilitando a acolhida de pessoas de diversas condições socioeconômicas.
E por trabalharmos fora desta lógica mercadológica, abolimos também a monocultura e produzimos a maior variedade possível de alimentos, seguindo critérios de sazonalidade e rotação de culturas para preservar o solo e a qualidade dos alimentos.
Uma CSA é uma escola onde aprendemos juntos a cocriar uma sociedade do apreço guiada por uma lógica de abundância. É uma escultura social cuja ideia vem de todos e de cada um e cujo material somos todos nós.
A CSA CEAFIM tem como propósito a contribuição para a construção de relações humanas mais amorosas e justas; uma agricultura em harmonia com o meio ambiente; e a promoção de uma alimentação mais ética e saudável para as pessoas.

PRODUTOS E SERVIÇOS

O alimento é colhido pelos agricultores e partilhado entre os coagricultores, semanalmente.

Produzimos raízes e tubérculos, legumes, frutas, hortaliças, PANCs e alimentos minimamente processados caseiros (polpa de frutas, coxinha vegetariana, geleias, melado, entre outros).

Alimentos que não são vistos como produtos nem tem preços, pois os aportes financeiros têm a finalidade de suprir as necessidades dos agricultores, cobrindo os custos do organismo agrícola e proporcionando um salário digno.
Ao mesmo tempo prestamos serviços ambientais à sociedade, em ritmo constante: recuperação do solo, da água e da biodiversidade florestal, além de sequestro de carbono atmosférico.

COMUNIDADE SUSTENTÁVEL

O movimento surgiu a partir do entendimento de seu Pedro (agricultor) de que alimentos cultivados em sistemas agroflorestais necessitam de uma outra forma de comercialização, que valorize o cuidado com a terra e os serviços ambientais prestados por este trabalho árduo e apaixonado.
Em 2018, ele e dona Maria (agricultora) tiveram alguns encontros com pessoas que já tinham contato com CSA, e entenderam que isso era o que estavam buscando.

A partir do final de 2018, as ideias foram tomando forma. Outros 11 agricultores se juntaram a eles. Em uma vivência agroflorestal realizada no carnaval de 2019 no CEAFIM, um conjunto de impulsionadores formou o grupo coração da CSA. Após uma série de esforços deste grupo, uma proposta inicial foi feita, levando-se em consideração as necessidades e possibilidades dos agricultores e coagricultores envolvidos no modelo colaborativo.
Em agosto de 2019 aconteceu em Curitiba a primeira partilha dos alimentos colhidos.

AS ORIGENS DA CSA CEAFIM

Em uma região de vale, de “terra dobrada” como dizem por lá, de um lado uma natureza exuberante, de outro um dos mais baixos índices de IDH do país, um homem se conectou à terra e à necessidade de vida digna para todas aquelas pessoas, e dessa emanação sincera, nasceu um líder nato hoje conhecido como Pedro Baiano.
Pedro Oliveira de Souza bem que tentou a vida na cidade, no ABC paulista como metalúrgico, e ao encarar o êxodo – dessa vez urbano – de volta à terra da família, encarou também o desafio de gerar abundância em meio a muita escassez.
Sob uma região de terra desgastada, pela criação de gado, pelas antigas práticas de “limpar” a terra – no fogo e no carpir da enxada; chega um técnico da Embrapa na época, hoje um amigo, chamado Oswaldinho, e conta então para o seu Pedro sobre a Agrofloresta. Isso foi em 1995, e rapidamente se organizaram em um pequeno grupo e foram até a Bahia, lá na terra do Ernst Ghost aprender a tal Agrofloresta.
A casa do seu Pedro virou um ponto de referência dessa promessa de abundância que era a Agrofloresta, e como ele mesmo conta “o pessoal começou a se juntar por lá”.
Os tradicionais mutirões já presentes na cultura local quilombola ganharam um ritmo semanal de troca de saberes e técnicas agroflorestais na terra de cada vizinho e já em 1996 se formou uma associação de agrofloresteiros que cresceu e mudou muitos paradigmas locais. Chegou a reunir mais de 120 famílias fazendo agrofloresta e comercializando seus produtos.
A coisa cresceu tanto, que daqui desse ponto, saem muitas outras narrativas. Aconteceu de jovens irem se formar em agroecologia, aconteceu de construírem cozinhas comunitárias, aconteceram editais e programas de expansão e fomento, até mesmo uma agroindústria hoje avaliada em mais de um milhão de Reais, porém o que continuava a pulsar no coração desse homem, era a necessidade de aproximar as pessoas, do campo e da cidade; era que a agrofloresta servisse ao grande propósito de modificar as pessoas assim como modifica as paisagens, e ser portanto, uma fonte de contato e conscientização.
Nesse amadurecimento constante, em 2012 o seu Pedro oficializa a sua casa como um Centro de Envolvimento Agroflorestal e passa a realizar ativamente vivências, imersões e cursos no local.
Escutar a sabedoria desse senhor, em meio a natureza, com água e alimentos puros realmente foi muito convidativo e ocupou muito da “agenda” desse agricultor, não só no local como em convites que veio a receber para palestrar em eventos pelo país, e que, portanto, não tinha mais tempo para manejar a terra. Ao receber tantas pessoas em cada feriado ou final de semana; se viu indo comprar alimentos dos seus vizinhos; e então novamente mudou dentro dele – e portanto fora – relembrando a sua verdadeira vocação: unir a produção agroflorestal no campo com a aproximação das pessoas na cidade em um processo de educação/processo educativo.
Seu Pedro já tinha o entendimento de que alimentos cultivados em agroflorestas necessitam de uma outra forma de comercialização, que valorize o cuidado com a terra e os serviços ambientais prestados por este trabalho árduo e apaixonado. Em 2018, ele e dona Maria, sua esposa e agricultora, tiveram alguns encontros com pessoas que já tinham contato com CSA, e entenderam que isso era o que estavam buscando.
CSA significa Comunidade que Sustenta a Agricultura. Ela é a união de pessoas do campo e da cidade que acreditam na necessidade de uma série de ressignificações:
– Na agricultura, uma prática que regenere, ao invés de agredir o solo;
– Entre os seres humanos, uma relação de cooperação, ao invés de competição;
– E no modo de pensar, a substituição da cultura do preço por uma cultura de apreço; apreço
aqueles que cuidam da terra, nos provendo alimentos saudáveis de forma sustentável.

Na prática, o que significa participar de uma CSA?

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